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Hermes Pardini - Medicina, saúde e bem-estar

Vírus Chinkungunya


Com origem na África, doença transmitida pelo mosquito Aedes tem sintomas semelhantes a Dengue. O Brasil tem uma grande suscetibilidade à propagação do vírus, devido à existência do Aedes Aegypti e Aedes Albopictus. "É necessária uma política de implantação e aprimoramento das ações de vigilância", diz o médico infectologista do Grupo Hermes Pardini.


Belo Horizonte, julho de 2014 - Ainda pouco conhecida pela população brasileira, a Febre Chikungunya é uma doença viral parecida com a dengue, transmitida por um mosquito comum na África. Nos últimos anos, inúmeros casos da doença foram registrados em países da Ásia e da Europa. Recentemente, o vírus chikungunya foi identificado em ilhas do Caribe e na Guiana Francesa, país latino-americano que faz fronteira com o estado do Amapá. Além disso, o vírus se espalha por meio de viagens de indivíduos infectados entre as regiões onde existem os mosquitos Aedes suscetíveis a perpetuação da transmissão.

 

Diante disso, o Brasil tem uma grande suscetibilidade para propagação do vírus, devido à existência do Aedes Aegypti e Aedes Albopictus, tornando necessária uma política de implantação e aprimoramento das ações de vigilância. "O Brasil tem o registro seis casos importados de soldados brasileiros que estiveram no Haiti. É um país com grande aporte de turistas provenientes de várias partes do mundo. A epidemia da Itália começou assim: a doença foi introduzida por um viajante com vírus advindo da Índia", diz o Dr. Paulo Campos, médico infectologista do Grupo Hermes Pardini, especializado em Medicina Diagnóstica e Preventiva.


O período de incubação do Chikungunya gira em torno de 10 dias, sendo que 3 a 28% das pessoas com anticorpos antiChikungunya apresentam infecção assintomática, contribuindo também para a propagação da doença. Na fase aguda, a característica principal é a febre de início súbito, maior que 39 graus, associada a dor articular intensa. Podem ocorrer, ainda, cefaleia, dores nas costas, mialgia, náusea, vômitos, poliartrite, erupção cutânea e conjuntivite. 


"A febre dura poucos dias, no máximo uma semana. Sintomas articulares costumam ser simétricos, acometendo mão e pés, podendo afetar articulações mais proximais. Edema e tenossinovite (inflamação do revestimento da bainha que circunda um tendão - o cordão que une o músculo ao osso) também podem estar associados. Exantema (erupção cutânea) normalmente ocorre de dois a cinco dias após o inicio da febre em quase metade dos pacientes", relata o Dr. João Paulo. Pode ocorrer, ainda, eritema difuso (uma coloração avermelhada). VHS (Velocidade de Hemo-Sedimentação) e PCR (Proteína C-Reativa) elevados acompanham a doença. Em crianças, lesões vesículo-bolhosas estão entre as manifestações mais comuns.


Na doença subaguda e crônica, o paciente apresenta uma melhora no estado geral e dor articular. "A doença crônica é definida pela persistência dos sintomas por mais de 90 dias. Sintomas articulares e reumatológicos podem durar meses. Por isso a doença ganhou o nome chinkungunya, expressão que no dialeto Tanzanês significa 'aquele que se dobra'", explica o Dr. João Paulo. 


Recidiva pode ocorrer associada à poliartrite distal, exacerbação da dor em articulações e ossos previamente acometidos, além de tenossinovite hipertrófica em punhos e tornozelos. A artralgia inflamatória nas mesmas articulações afetadas durante os estágios agudos costuma ser o sintoma mais comum, sendo que alguns indivíduos podem desenvolvem artropatia/artrite semelhante a artrite reumatoide ou artrite psoríatica. Síndrome de Raynaud, depressão, astenia e fraqueza podem acompanhar essa fase da doença, além de cansaço e depressão. 


O Dr. João Paulo demonstra que alguns "estudos na África do Sul mostraram que 12-18% dos pacientes terão sintomas persistentes de dezoito meses a três anos. Outros estudos mais recentes na Índia indicaram a proporção de pacientes com sintomas persistentes, entre dez meses após o início da doença, em torno de 49%."


Idosos, neonatos, portadores de doenças oesteoarticulares prévias e alguma outra doença aguda são considerados como fatores de risco. "Pessoas com idade a partir de 65 anos tiveram uma taxa de mortalidade 50 vezes superior quando comparado ao adulto jovem", alerta o Dr. João Paulo. O médico esclarece que uma vez exposto ao Chikungunya, indivíduos poderão desenvolver uma imunidade duradoura que os protegerá contra uma nova infecção. 


Transmissão

Em áreas endêmicas na África, a transmissão do vírus Chikungunya ocorre em um ciclo que envolve seres humanos, várias espécies de mosquitos Aedes que habitam florestas e aldeias, e animais (primatas, humanos, roedores, aves e pequenos mamíferos). Em outros lugares os grandes surtos são sustentados pela transmissão do mosquito entre seres humanos suscetíveis.  Existem relatos de transmissão vertical, hemotransfusão, transplante de córnea e exposição a sangue contaminado.  O Dr. João Paulo alerta para a maior incidência no período pós-chuva, devido à eclosão de larvas do Aedes. ?Mesmo vetor da Dengue?, chama a atenção o especialista. 


O diagnóstico Inclui sorologia, cultura viral e técnicas moleculares (RT-PCR). As amostras colhidas na primeira semana devem ser testadas por dois métodos: sorológico (IgM e IGG Elisa) e virológico (RT-PCR e isolamento). Os testes sorológicos incluem o Elisa e o teste de neutralização por redução de placas (PRNT). O diagnóstico sorológico pode ser feitos pela demonstração de anticorpos IgM específicos para Chikungunya ou por aumento até quatro vezes no título de PRNT em amostras  da fase aguda e convalescente. 


Tratamento

Consiste em medidas de suporte, incluindo agentes anti-inflamatórios, hidratação e analgésicos. Deve ser evitado o uso de AAS, como ocorre na Dengue. Nos casos subagudos e crônicos, podem ser utilizados corticoides orais, injeções intra-articulares de corticoides ou AINE tópicos. Movimentação e exercício leve tendem a melhorar a rigidez articular matinal e dor, mas exercício intenso pode exacerbar os sintomas. 


Prevenção

Não existe vacina contra o Chikungunya. A forma de prevenção é similar à Dengue, evitando o acumulo de água parada para a pró-criação do mosquito vetor. Além disso, consiste em minimizar a exposição do mosquito, acompanhando a redução da propagação do vírus, por meio de identificação das linhagens circulantes de Chikungunya, ou pela descrição das características epidemiológicas, utilizando as notificações dos casos, definindo os suspeitos e confirmados. É importante também a distribuições de orientações de controle sanitário a viajantes internacionais. "Essas medidas visam minimizar a entrada do vírus em nosso território, visto que até a presente data haviam seis casos confirmados de agentes do exército brasileiro proveniente do Haiti, todos estáveis", diz o Dr. João Paulo.


O vírus 

O Chikungunya foi identificado durante um surto na África Oriental, na Tanzânia, no início de 1950, com posterior ocorrência em muitos países da África Central, Sul e Oeste. Fora da África, o primeiro surto foi na Tailândia em 1958. Este foi seguido por casos em países da Ásia, Índia, Malásia, Sri Lanka, Indonésia, Camboja, Vietnã, Mianmar, Filipinas e Paquistão. Em 2004, um surto originário, da costa do Quênia disseminou para ilhas Comoros, Réunion e outras do Oceano Índico durante os dois anos seguintes. De 2004 a 2006, ocorreu um número estimado de 500 mil casos. 


A epidemia propagou-se para Índia, onde os grandes eventos emergiram em 2006. Lá atingiu 17 dos 28 estados, infectando mais de 1,39 milhões de pessoas. Epidemia continuou em 2010, sendo propagada por meio de viajantes virêmicos. Um pico aconteceu em 2007, quando o vírus foi encontrado em transmissão autóctone (humano-mosquito-humano) no norte da Itália, após ser introduzido por um viajante com vírus advindo da Índia. Casos importados foram identificados em Taiwan, França, EUA, Brasil, trazidos por turista provenientes da Indonésia, Ilha Réunion, Índia e Sudoeste Asiático, respectivamente. Em dezembro de 2013 foram relatados casos na ilha caribenha de St Martin, Anguilla, Antígua e Barbuda, Ilhas Virgens Britânicas, Dominica, República Dominicana, Guiana Francesa, Guadalupe, Haiti, Martinica, Porto Rico, Aruba, Flórida, sendo então a primeira vez que houve transmissão local de Chikungunya nas Américas. 


Perguntas e respostas


Semelhança do Chinkungunya com a Dengue

Sintomas como febre, mialgia, manchas pelo corpo, transmissão pelo mesmo vetor.


Ciclo de transmissão

Muito similar ao da Dengue, sendo que alguns outros primatas, aves e mamíferos mantém o ciclo silvestre.


Período de disseminação  

É um vírus comum nas estações pós-chuva, devido à eclosão de larvas do Aedes, mesmo vetor da Dengue.


Grau mais elevado da doença

Na doença mais branda, pode complicar com lesões neurológicas. Casos mais intensos apresentam doenças reumáticas, que podem durar meses.


Chances de uma epidemia no Brasil

Brasil é um país onde a população é susceptível (sem contato com o vírus), mesmo vetor e região tropical, com grande aporte de turistas provenientes de várias partes do mundo.


Risco de óbito

Pequeno, mas aumenta em idosos e crianças.


Prevenção

Similar à Dengue, evitando o acúmulo de água parada para a procriação do mosquito vetor. 

Identificação das linhagens circulantes de Chikungunya e  descrição das características epidemiológicas, utilizando as notificações dos casos, definindo os suspeitos e confirmados. 

Orientações de controle sanitário a viajantes internacionais.

Não existe vacina. 


 

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